Psicologia

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segunda-feira, 24 de outubro de 2016










Todos que trabalham nessa maravilhosa disciplina chamada psicologia percebem: as consultas estão cheias de gente sensível, não de loucos. Não estão cheias de doentes mentais. Estão cheias de pessoas com uma sensibilidade especial que, pelo fato de não serem atendidas adequadamente, carregarão o rótulo de doentes, quando na verdade são pessoas corajosas tentando resistir.

Quando o mundo se torna muito contraditório e difícil de suportar, a doença aparece nas pessoas como uma defesa contra isso. A dicotomia normalidade versus anormalidade torna-se difícil de entender quando o entorno falha, e os sintomas das pessoas com algum transtorno psicológico são simplesmente a evidência de que estão resistindo, lutando contra o que não entendem, ainda que seja de uma forma equivocada.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Ressistência



A resistência seria o conjunto de fatores que dificultam o andamento do processo terapêutico. Esses fatores, em sua maioria, são inconscientes. Trocar palavras, esquecer o horário, perder as chaves do carro, e assim por diante.


Mas uma boa dose deles são determinados conscientemente: marcar outros compromissos na hora da terapia, encher o tempo da sessão com conversa fiada, restringir os assuntos que podem ser falados, etc.. sempre digo que isso é algo completamente natural quando estamos em processo terapêutico, é difícil expor nossas fraquezas e olhar para as feridas da alma. Portanto é fundamental que o paciente tome consciência disso e se comprometa com seu tratamento, senão é impossível mudar. É como ir ao médico com a perna quebrada, ele pedir para engessar e você não deixar. Porém, cada paciente tem o seu tempo. Gosto muito dessa frase da Monja Coen sobre como isso se dá na relação mestre-discípulo no zen budismo: ”No zen, costumamos dizer que o relacionamento do mestre com o discípulo deve ser como o da galinha com o pintinho. A galinha fica lá, chocando seu ovo e, de vez em quando, dá uma bicada na casca para ver se já pode abrir. Enquanto o pintinho não responde com uma batidinha, a galinha não quebra a casca do ovo. O mestre age da mesma forma. Ele nunca abre a casca do discípulo antes da hora, pois é preciso que haja uma resposta de dentro. É muito importante respeitar o tempo de cada um, sem querer forçar ou exigir nada de que o outro ainda não dê conta.” A resistência é como a casca do ovo, que protege o pintinho, até que ele possa sair dali para se relacionar por inteiro com tudo o que está à sua volta. Então vamos quebrando, mas vamos quebrando devagarzinho, para não quebrar a estrutura da casa do pintinho!